Sua história sexual, uma biografia erótica

Nossa história sexual é algo em que não costumamos pensar, mas ela está lá, se desenrolando a partir de uma semente. Remontamos essa história lembrando as sensações mais antigas, momentos dispersos aos quais relacionamos nossa vida erótica de hoje. Ela está nas descobertas de sensações solitárias, em imagens vistas ou vividas que ficaram marcadas na memória. E na descoberta de quem chamava nossa atenção, nos primeiros devaneios.

Quais são as primeiras sensações de que você se lembra? Lá atrás, as primeiras. E as imagens, as cenas que de alguma forma revelam algo do que você vive eroticamente hoje?

Quais os encontros íntimos que tivemos, ou os que ansiamos por tanto tempo, com solitária intensidade, e nunca aconteceram? Os olhares que nos erotizaram sem que quiséssemos, ou uma fabulosa presença erótica que observávamos agoniados de longe, sem nunca sermos olhados de volta.

Mais do que um evento inaugural, na história sexual existem múltiplas “primeiras vezes”. A trajetória se compõe de descobertas graduais: o beijo que desperta, o toque que reconhece, a intimidade explorada e os primeiros contatos. Fazem parte desse tecido os atos atrapalhados, os tropeços até que se encontre o próprio ritmo. E aquilo que foi muito esperado: a primeira vez de um sexo verdadeiramente apaixonado.

Às vezes, na nossa história, existem eventos tristes, que guardamos a sete chaves. Também podem existir lembranças de risos nas conversas sobre abobrinhas sexuais com amigas desbocadas e amigos cúmplices. As vergonhas, o ser pego no flagra. A primeira vez que tivemos a coragem de contar algo que aconteceu.

Fazem parte dessa história, claro, alguns “eventos” marcantes que ocorrem na intimidade do nosso corpo: a primeira menstruação, a primeira vez em que se reparou na lubrificação, a primeira polução noturna, a primeira ejaculação, a gravidez e o parto.

Nossa história sexual é feita também de sonhos, devaneios e fantasias que mudam de cor e forma ao longo da vida. É uma biografia em constante edição. E contar essa história, mesmo que seja apenas para si mesmo, é dar sentido à sua trajetória erótica e a uma das partes mais íntimas da sua identidade.

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