“Make-up sex": o sexo depois da briga
Make-up sex (sexo de reconciliação, em português) é o sexo, muitas vezes mais intenso, depois de uma briga ou ameaça de rompimento da relação. Ele é mais cru, apaixonado, e diferente do sexo do cotidiano.
Briga e desejo
Uma briga de casal é uma quebra da intimidade compartilhada e também um momento em que podemos esconder, debaixo de palavras duras, um desejo vulnerável — e até ardente — de que o outro venha ao nosso resgate. Dessa distância, em que o vulnerável fica oculto, surge o desejo.
So lay down your weapons, I'm already wounded
Draw back your soldiers, my borders are invaded
Lose your pride here in my arms
Are you ready to be found?
Raise your flag upon my ground
Is it what they call desire?— Karin Park
A canção de Karin Park evoca bem essa cena em que orgulho, ferida, invasão e entrega se misturam, como se o desejo aparecesse justamente quando as defesas já não conseguem mais se sustentar por completo.
Uma outra imagem para o desejo que surge na briga é a música Evidências — que alguns acham cafona e outros, de uma refinada e singela honestidade afetiva. Nela, aparece justamente a queda do orgulho defensivo diante da impossibilidade de continuar negando o próprio desejo.
Chega de mentiras
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim!- Chitãozinho e Xororó
Uma briga feia é como uma ponte perigosa
Um experimento de 1974 pode ajudar a entender por que a briga, em vez de apenas afastar, às vezes também intensifica a tensão erótica. No experimento homens foram abordados pela mesma mulher em duas pontes: uma segura e estável, outra suspensa e mais… instigante. Em ambas, a mulher mostrava figuras aos homens e pedia que inventassem histórias baseadas no que viam.
Os homens que atravessavam a ponte que parecia menos segura tiveram maior tendência a inventar histórias com conteúdo sexual e a tentar uma aproximação com a mulher após o experimento.
Uma briga feia pode funcionar, psicologicamente e corporalmente, como essa ponte: algo arriscado o bastante para elevar a tensão, desorganizar o habitual e tornar o encontro com o outro mais carregado de intensidade.
Sexo como substituto da intimidade afetiva
É nesse ponto que o sexo de reconciliação ganha sua força e também sua ambiguidade. Não se trata apenas de tesão “apesar” da briga, mas de tesão que emerge do abalo do vínculo.
A ameaça de distância torna o outro novamente vivo, novamente arriscado, novamente desejável. A briga rompe a anestesia do cotidiano, fere o narcisismo, expõe a vulnerabilidade e a dependência mútua, e reacende algo da urgência amorosa: o medo de perder e a vontade de ser escolhido outra vez.
O corpo tenta realizar aquilo que ainda não pôde ser plenamente dito em palavras: não quero te perder, volta para mim, me aceita de novo.
Mas aí está também o risco. O sexo pode ser reencontro, mas também pode funcionar como atalho: uma solução corporal para aquilo que ainda não encontrou elaboração psíquica. Nesse caso, a intensidade erótica não resolve o conflito; apenas o cobre momentaneamente com calor, alívio e sensação de proximidade.
Ambiguidade dá medo. E talvez seja justamente por isso que o sexo de reconciliação seja tão poderoso.
Uma briga feia é como uma ponte perigosa
A excitação sexual é um equilíbrio fino entre segurança — ativação parassimpático, que promove a vasodilatação — e algum grau de “adrenalina” — sistema simpático, ligado à reação de luta e fuga.
Num experimento de 1974, homens foram abordados pela mesma mulher em duas pontes: uma pode segura e estável e outra suspensa e mais…instigante. Em ambas as pontes, a mulher mostrava figuras aos homens e pedia que inventassem histórias baseadas no que viam. Os homens que caminhavam pela ponte que parecia menos segura tiveram maior tendência a inventarem histórias com conteúdo sexual e tentarem uma aproximação com a mulher após o experimento.
Sexo como substituto da intimidade afetiva
No sexo de reconciliação, não se trata apenas de tesão “apesar” da briga, mas de tesão que emerge precisamente do abalo do vínculo. A ameaça de distância torna o outro novamente vivo, novamente arriscado, novamente desejável. A briga rompe a anestesia do cotidiano, fere o narcisismo, expõe a vulnerabilidade, a dependência mútua e reacende algo da urgência amorosa: o medo de perder e a vontade de ser escolhido outra vez.
O corpo tenta realizar aquilo que ainda não pôde ser plenamente dito em palavras: não quero te perder, volta para mim, me aceita de novo.
Mas aí está também sua ambiguidade. O sexo pode ser reencontro, mas pode funcionar como atalho: uma solução corporal para aquilo que ainda não encontrou elaboração psíquica. Nesse caso, a intensidade erótica não resolve o conflito; apenas o cobre momentaneamente com calor, alívio e sensação de proximidade.
Talvez, por essa própria ambiguidade, o sexo de reconciliação seja tão poderoso.
