Sexo: um diálogo cheio de nuances

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Quando falamos de sexo e comunicação, geralmente separamos uma coisa da outra. Mas o sexo é, em si, uma forma de comunicação.

Há No sexo conversa acontecendo em muitos níveis, inclusive quando nada está sendo dito em palavras: um corpo se empina e o outro se aproxima; um vira de um jeito, o outro responde; um toca, o outro vem ao encontro ou se contrai em negação.

O sexo é uma conversa não verbal

O diálogo sexual é, em grande parte, não verbal. Expressão facial, entonação da voz, gestos, ritmo, toque, tudo isso dá tom ao encontro.

Há assuntos que são fluidos para uns e quase proibidos para outros.

O “fala que eu te escuto”, no sexo vira “vem, eu te recebo”.

O “me conta mais” vira um “vai, continua, isso me instiga”.

O “não quero” pode aparecer num afastamento, numa rigidez do corpo, numa cara fechada — ou, em algumas pessoas, num engajamento sem presença, sem brilho, sem desejo.

A pessoa mais dominante, que fala com autoridade, na cama pode se mover de um jeito que diz “eu quero assim”, “me dá”, “me mostra”.

Há pessoas que nos deixam muito à vontade durante o sexo porque sabem conversar eroticamente de forma espontânea, aberta e viva.

Outras, por insegurança, podem seguir roteiros mais fechados, menos permeáveis à influência do outro, e a conversa já começa com limites prévios.

De que jeito falamos no sexo

Sim, sexo é, em certo sentido, como qualquer outro encontro. Mas no diálogo sexual os gestos tem primazia.

Toque

Onde alguém toca, como toca, com que intensidade, com que escuta: tudo isso comunica. E comunica tanto sobre o desejo quanto sobre a capacidade de perceber o outro. No sexo, tocamos para chamar, conduzir, acolher, dominar, receber, acalmar, pedir, oferecer, intensificar.

Proximidade

Há conversas que só acontecem bem de perto, quase dentro de um casulo. Outras precisam de mais distância, mais espaço, mais contorno. No sexo também é assim. Há quem queira fusão. Há quem prefira ligação sem apagamento, encontro sem dissolução.

Expressões corporais

O rosto, a respiração, a tensão muscular, o jeito de olhar, o modo como o corpo se oferece, pega para si ou se protege: tudo isso fala. A ereção, a lubrificação, um sorriso sincero, um arrepio OU um recuo sutil são respostas difíceis de falsificar por completo. O corpo, muitas vezes, revela algo que a pessoa ainda nem conseguiu dizer.

Timing

O timing também é linguagem. toda conversa acontece no tempo. Um toque prazeroso pode ser invasivo antes do tempo. Há momentos de aproximação, pausa, retomada, intensidade, suspensão. No sexo, não é diferente. Por quanto tempo algo deve durar? Em que momento mudar? Quando insistir e quando parar?

Palavras

Embora boa parte da conversa sexual seja não verbal, as palavras também orientam, pedem, nomeiam, intensificam, enquadram a experiência. Podem realçar o sentido do que está acontecendo e aprofundar a sensação de presença.

A voz

No sexo, fala-se, sussurra-se, geme-se, respira-se alto, ri-se. E, como em qualquer conversa, o tom pode ser espontâneo ou fabricado. Quando ele está desconectado da experiência real, pode soar como encenação e quebrar a presença. Quando nasce do que está de fato sendo vivido, excita.

No fim, transar é também escutar

No fim das contas, para conversar sexualmente também temos que saber escutar sexualmente. Um bom diálogo sexual nunca é perfeito, ele é o encontro de dois corpos que sonham juntos, um no outro.

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