Orgasmo na penetração e a conquista de si mesma

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A maioria das mulheres tem dificuldade de chegar ao orgasmo na penetração, ainda mais sem um estímulo direto no clitóris. Para algumas, inclusive, a penetração pode até atrapalhar. Porém, algumas mulheres que precisam desse estímulo direto ainda assim conseguem chegar ao orgasmo “sem as mãos” durante a penetração.

Qual o segredo delas?

Elas não esperam o orgasmo vir do príncipe encantado

As mulheres que têm orgasmo com penetração, em geral, não ficam passivamente à espera de que surja um orgasmos com que o príncipe está fazendo. Elas buscam ativamente o que é bom para elas e usam o próprio encaixe dos corpos para garantir o contato de que precisam no clitóris.

Procuram esse contato conscientemente, às vezes contra a púbis do parceiro, fazendo pequenos ajustes de ângulo, pressão, ritmo e encaixe. Os ajustes podem ser tão discretos que, vistos de fora, mal seriam notados. Mas no sentir do corpo, faz toda a diferença.

Além disso, estão presentes para interferir no ritmo e no andamento do sexo. Se o prícipe está desconectado da intensidade ou do compasso que lhes faz bem, conseguem reconduzir a rota — às vezes com palavras, às vezes com gestos.

Para isso, é preciso duas coisas. De um lado, que a mulher esteja à vontade, fora do papel de quem tem que se enquadrar num suposto jeito certo de transar. De outro, que haja um parceiro atento não apenas a si mesmo, mas permeável aos sinais dela. O orgasmo, aí, nasce de uma mistura de intimidade consigo e entrosamento com o outro.

E talvez seja justamente aí que comece uma conquista de si: quando a mulher para de esperar algo do príncipe e passa a deixar sua própria vontade buscar, ajustar, interromper, insistir e participar do rumo dos acontecimentos sexuais.

Elas levam para a cama o que aprenderam sozinhas

A maioria dos homens chega à vida sexual já tendo gozado incontáveis vezes se masturbando. Eles conhecem, razoavelmente, o tipo de estímulo, a pressão, o ritmo, o movimento e o ângulo que intensificam o prazer até o orgasmo.

A masturbação é uma espécie de aprendizado corporal, que traz familiaridade não só com as próprias sensações, mas com o caminho sensorial até o orgasmo.

Com mulheres acontece algo semelhante. As que têm mais facilidade em ter orgasmo durante a penetração, em geral, já construíram sozinhas alguma intimidade com o próprio prazer. Mapearam — e de certa forma assim conquistaram — mais territórios eróticos de si mesmas.

Quanto maior o repertório que uma mulher desenvolveu na masturbação, mais recursos ela tende a ter quando está com alguém. Se ela só consegue o orgasmo de uma única forma pode ter mais dificuldade em encontrar a sensação que busca no encaixe com o corpo do parceiro.

Já aquela que conhece melhor as nuances do próprio corpo, que sabe variar pressão, ritmo, contexto e tipo de contato, costuma ter mais ferramentas para encontrar caminhos também no sexo a dois.

Quanto mais caminhos ao orgasmo a mulher conhece, menos a mercê da condução alheia ela fica para chegar aonde deseja — ou, se permite conduzir se ajustando só no que for necessário.

Mulheres que têm orgasmo “usam” o corpo do parceiro

Relatório Hite da Sexualidade Feminina chama atenção para algo interessante: mulheres que sabem atingir o orgasmo “montando” em objetos macios, como travesseiros, almofadas ou o braço do sofá, às vezes têm mais facilidade em reproduzir algo parecido numa transa, justamente porque reconhecem naquele encaixe corpo a corpo uma forma de atrito que já lhes é familiar.

Assim, o príncipe encantado também pode ser, em alguma medida usada.

Algumas conseguem “usar” o corpo do parceiro com movimentos quase imperceptíveis, num contato bem colado, com mínimas mudanças de pressão. Outras precisam de mais fricção, mais deslizamento, mais intensidade. Umas se sentem mais livres por cima. Outras encontram esse caminho no papai-e-mamãe, tão subestimados, mas para algumas propícios para o contato que precisam. Outras ainda descobrem suas possibilidades em pé, de lado, sentadas, como for.

Não existe fórmula. Existe corpo. Existe história. Existe o jeito singular de cada mulher habitar a própria excitação.

E essa singularidade pede apropriação. A conquista de si mesma passa por deixar de tentar corresponder a uma cena idealizada e começar a reconhecer o tipo de contato que de fato funciona para o próprio corpo.

No fim, importa menos a performance do que a intimidade

No fundo, o mais importante não é alcançar um ideal de orgasmo “certo”. O que importa é que você possa conhecer aos poucos os micro movimentos que te dão mais prazer. Gozar não é uma prova de competência sexual, é uma permissão que vem com o tempo, uma possibilidade viva, que se abre quando o corpo encontra liberdade, aceitação e espaço para agir e responder do seu próprio jeito.

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